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Egoísmo. Capricho. Mentira. Ilusão. Passatempo.
Fiquei esse tempo todo pensando, se ia , se arriscava. o que é certo, é errado querer (?), é duvidoso duvidar, é estranho. é verdade isso, é paixao, é amor, que nome que a gente dá, a gente tem que dar nome(?) , o que a gente sente, eu sinto, vai sentir ate quando, que dia começa, que horas acaba. divido, compartilho, é meu, é só teu, é nosso, é (?), não é. Colocar numa balança, ver o que pesa mais, teu passado, nosso presente, meu futuro. O cara errado, a hora certa, a hora errada, o cara certo. O que é certo mesmo? E quem é esse cara? esse jeito, esse sorriso, esses braços. Esse abraço. Esse desespero. Pra quê? Tudo tão planejado, que até o inesperado era calculado. As piadas, as citações, Drummond, Quintana, esse ar todo de inteligência exalando pelos poros. Tua boca. Tava falando de quê mesmo? As borboletas, o jardim, cultivar o jardim que as borboletas vêm até você, quem disse mesmo? Ah sim, tua boca. Teu cheiro. Teu abraço de novo. Não solta. Não me deixa. Era isso. Medo disso. Do abraço e do não-abraçar. Medo de dizer que sim, e depois ouvir que não. Coragem no medo. De te ganhar, de te perder. Se dá certo, se não dá? Vale isso, vale não saber, melhor nem arriscar. Já arrisquei. Pára de pensar. Pensa de novo. Muda essa música, aumenta o som. Dar as mãos. soltar. E esse nó no peito? E esse frio na barriga? Se o telefone toca, se não toca. Faço o quê? Já tentei de tudo. Até tentar eu tentei, morrendo de medo, mas tentei, arrisquei. A pedra mais alta, o olho fechado, tiro no escuro. Arrisquei, juro. Não deu, nem isso deu certo. E agora? é teu signo que não combina com o meu? Combina. Touro e Escorpião. Combina. É a gente que não combina? combina. as cores combinam, tua roupa e a minha. A gente quer , não quer? Por que não então? Suspiro. Fechar os olhos, abrir. É, não deu. E eu faço o quê? Ficou só esse gosto de vodka na garganta e esse vazio no teu lugar.
‘e eu ja disse que acordei absurdamente feliz hoje? pra não deixar de ser contraditório.*
((escrito ao som de “conversa de botas batidas”, coisa de hermano.))