Posts de Outubro, 2008

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Com cor de caqui & cheiro de baunilha.

17 17UTC Outubro 17UTC 2008

Poderia ter passado em branco o mês que conheci Laís-meio-sorriso, assim como a maioria dos que tinha vivido até então, mas era Setembro. Subindo ladeira abaixo, chutando latinha pelo chão, cinco reais no bolso e três  moedas, vi uma menina sentada num banco da praça, e pensei que era um desperdício uma só pessoa ocupar um banco inteiro em um lugar tão cheio. E praças são cheias em dias de domingo, cheias de nostalgia.

Estranhezas de lado,sentei-me ao lado dela, e a convidei para dividir um pacote de pipoca e algumas intimidades. Não falamos sobre política, sobre o tempo, nem sobre os pombos que recolhiam as migalhas no chão. Falamos sobre algo interno, sobre aquela melancolia profunda que eu escutava no seu olhar, sobre aquela curiosidade exagerada que ela via nas minhas perguntas.Falamos sobre nós. Depois de alguns meio-sorrisos, poucas histórias e muitas horas, percebi que quanto mais queria conhecer aquela menina, mais ela me conhecia.

Descobri que nem sempre Laís foi meio-sorriso, houve um tempo, disse ela, que ao contrário do que pensei, não existia nem um meio-sorriso, Laís não sabia sorrir. Pensei que eu poderia então ajudá-la, contar piadas, fazer cócegas, dar cambalhotas (se eu as soubesse fazer), qualquer coisa assim, em nome daquela recente e interessante amizade. 

Ela cortou meu pensamento quase ao meio, posso te fazer uma pergunta? não cansa rir tanto e não achar graça de nada?, era assustador alguem que nem sabia sorrir direito desvendar a minha tristeza, dei um meio-sorriso pra disfarçar. Acho que quando a gente se olhou, deve ter pensando quase que ao mesmo tempo, dois meio-sorrisos, iguais a um sorriso inteiro.*

 

 

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Era apenas isso, mas era seu.

9 09UTC Outubro 09UTC 2008

Desaparece só um pouquinho que é pra eu ter de novo aquela estranha sensação de não precisar de mais ninguem pra ser feliz. Tão distante, tão egoísta, tão minha. Quando eu ainda podia acreditar (e até jurar) que o controle era meu, e que tudo bem ser assim. Quando ainda era possível não esperar nada de você. Nem um oi e nem um adeus. Quando nada era esperado, nem planejado. Quando ainda passava horas pensando no que seria amanhã. Quero não ter mais a (in)certeza de te encontrar em tal lugar, e nem a vontade de te encontrar em qualquer lugar. Desaparece um pouco, pq talvez assim quando voltar, seja tudo novo, você e eu, começando do zero. A gente ficava só com o que foi bom e recomeçava, dois estranhos brincando de se conhecer aos poucos.

Fico me perguntando o que foi que mudou de lá pra cá, do primeiro sorriso espontâneo ao último forçado. Talvez nada, e a gente esperava era que mudasse, que mudasse tanta coisa, e não mudou nada. A gente buscava uma solução pra nossa vida. Pra tua falta de tempo, pra minha falta de ânimo. E a solução não veio. Foram nossos caminhos, os errados? Foram minhas respostas vazias pra tuas perguntas confusas? Antes era se dividir em um, hoje é só dividir: isso é meu, isso é teu. O “nosso” ficou em que esquina, meu Deus? 

 Qual é o limite entre o que é bom pra mim e o que é cômodo? Quem decide mesmo o que é certo? E tenho buscado tanto saber isso.  O que é certo pra uns nem sempre é certo pra outros e se é pra relativizar, posso dizer que isso, que por distração chamou de amor, nunca foi pra mim, de fato. Tuas verdades só eram mentiras para ti, porque para mim, não existiam verdades, nem as falsas.

E a coragem pra te deixar, embaixo de que cama se escondeu? É que cansa tentar tantas vezes e ver tudo se reduzir a isso : a uma tentativa. Mas desaparece mesmo, que é pra ver se isso tudo acontece, que é pra ver se te esqueço. *