Posts de Novembro, 2008

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Com açucar, com afeto.

22 22UTC Novembro 22UTC 2008

(…),

Te disse um dia desses que não tinha muito jeito com as palavras. Então resolvi escrever essa carta, não que assim seja mais fácil, mas é menos dificil, entende? Talvez não, e esse é só o começo das coisas que vou te dizer e não vai entender.

Lembra quando eu te contei do meu peixinho que morreu, e eu chorei & chorei por dias & dias, e um dia parei, e deixei pra la? você me disse que era estranho isso, deixar pra la algo-alguem-alguma-coisa que se ama. Eu tinha 8 anos, te contei isso 11 anos depois. Eu não esqueci boy, eu só deixei pra lá, percebe? Mas deixa essa historia (o peixei eu ja deixei) pra lá, que eu hoje eu quero te falar sobre estrelas, medos & sonhos.

Esses dias, quando eu disse que te amava, eu quase morri de aflição vendo o meu amor se resumir a três palavrinhas que podem (?) ser ditas por qualquer pessoa. Eu fui tão lugar comum, tão todo-mundo, me senti um lixo resumindo o meu sentimento por ti a isso, a uma frase manjada de filmes. E me senti pior pq eu podia ter dito tão mais coisas, coisas que ninguem nunca te disse, que eu nunca disse a ninguem, e eu não consegui. Veio aquele velho bloqueio, aquele medo todo de ser de alguem, e (me) perder. mas deixa pra lá isso tambem.

E em outros tantos dias, eu pensei em mil formas pra te mostrar o que eu sentia, de sorrisos espontâneos a lágrimas de saudade. E eu fui tentando, tentando. E pensei :eu preciso mesmo te falar? poxa, basta ver que  quando te vejo meu olho brilha logo, quando eu escuto teu nome meu coração dispara, minha perna treme, frio na barriga e suspiros.

Hoje eu acordei e fiquei te olhando dormir. Foi incrivel. Sabe quando a gente sente que tem tudo o que sempre sonhou em ter numa só pessoa, ao mesmo tempo? Aquela sensação de ter, não nesse sentido banal de posse, mas de entrega total.

Quando eu pensei por uma fração de segundo em te deixar (pq a gente é muito diferente, pq minha familia não vai com a tua cara, pq não vai dar certo, pq isso e pq aquilo), eu perdi a noção de direção sabe? eu nem lembro o que eu tinha antes de ti, e talvez eu não tivesse nada, nada de muito concreto, pelo menos quando o assunto é relacionamento, já que eu colecionei por tempos namoros & fracassos. e eu nem sei o que pode existir sem ti. um novo amor anos ou dias depois, novos planos, nova vida, essa coisa toda ai de fim de ano, quem sabe. mas eu percebi que eu não quero lembrar do que eu tinha (ou não) antes de te conhecer, e que não to muito curiosa pra saber o que pode existir depois de ti. Porque parece que pela primeira vez eu me sinto no lugar & hora certos, e só pra variar, com a pessoa certa tambem. Aquilo que eu te falei sobre ser meu número, encaixe perfeito e blá.

Eu tive medo. Medo de ter que te deixar pra não abrir mão de quem eu sou, de não poder voltar atrás. Porque a gente tem que abrir mão de muita coisa pra viver amor de cinema, algumas preferencias, alguns amigos, dois ou três sonhos, aquela festa que o outro não quer ir, investir tempo, saúde e até fé, pq não (?), pra tentar fazer com que dê certo. Isso é inédito pra mim. Apostar em alguem as fichas que eu tenho e as que eu nem tenho. Eu quero que valha a pena perder tanta aula pensando em ti.  Tem que valer a pena porque faz mais sentindo assim, eu dou o que tenho e recebo o que me falta. Cumplicidade amor, cumplicidade.

E só pra concluir, voltando à historia do peixinho, e eu ja te disse que é preciso voltar (às vezes) pra se seguir em frente; pode ser que acabe mesmo, porque nada na minha vida tem sido muito duradouro, pode ser que eu te deixe pra lá, e etc., mas eu não vou esquecer boy, não tem como.

era o que eu queria que soubesse, não que eu vá de fato te mostrar isso.

com carinho,

(…).

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e me perguntaram se eu acredito no amor.

12 12UTC Novembro 12UTC 2008

ok, por partes.

outro dia me vi assim, te olhando distraidamente. juro que te vi através e dentro dos meus olhos. sorriso no rosto, batidas mais fortes no coração. uma alegria interna total, baby. fechei os olhos. te vi de novo, continuei te vendo por um tempão, sabe? estranho isso. outro dia, tava assim pensando no futuro. pensei na gente. pensei em dois dividindo um, em um dividido em dois. pensei em ti. estranhei tambem.mas então, por algum motivo, o que era estranho se tornou comum, e o comum virou necessário.

ficava horas tentando convencer everybody que essa coisa de amor é pra contos de fadas, não existe na realidade não. e me incomodava mesmo com todo eu-te-amo com sotaque de bom dia que eu ouvia por ai. até quê: eu disse. e sabe todas aquelas teorias sobre o amor ser uma ilusão ridicula que dura uns meses, uns beijos e umas entradas no cinema? por agua abaixo. (!?)

o amor é brega que só, não combina comigo não. me sinto outra pessoa nessa vida de cinderelas-carruagens- e-afins. um sorrisinho meigo no rosto, três ou quatro juras ao pé do ouvido. o amor é uma mentira muito bem maquiada de verdade. com cheiro de verdade, jeito de verdade, mas sempre uma mentira disfarçada. mas existe. pra um ou outro, por sorte pra dois ao mesmo tempo, com dinheiro pra sempre e mais um tempo.

pronto, junta todas as partes.

se eu acredito no amor? acredito e não acredito. não sei se alguem sente isso de fato. mas eu juro que te amo e você jura que o sapatinho é de cristal.