Posts de Dezembro, 2008

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she is simple, but real, baby.

2 02UTC Dezembro 02UTC 2008

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Ela é de Sagitário, constatei – E as mulheres de Sagitário são livres.

Não sabia bem na ocasião se mulher era o termo certo pra Marina.

Não que ela não tivesse maturidade o suficiente pra carregar o peso dessa designação,

Mas era uma menina, visivelmente só uma menina.

Mas por alguns motivos, Marina era muito diferente das outras tantas espalhas por ai, que eram igualmente só meninas.

Ela tinha uma estúpida vontade de voltar pro lugar de que tinha partido. E estúpida, senhores, é uma palavra com muitos significados, e acho que todos cabem nesse caso.

E quem vai, vai de algum/para algum lugar, mas nem sempre volta.

Cálculo quase certo como os tantos que ela fez pra passar no vestibular, e ir estudar medicina num raio de cidade que não me permite ir de ônibus na hora que eu bem quero.

 

Eu que não me atrevo a discutir profundamente os motivos, porque acho que era só uma questão de estudo; dizer que ela fugia de si, pra se encontrar, não tem nada a ver, pensando bem. Não parece com ela esse discurso de conflitos internos – externos. Uma coisa que podia se dizer dessa menina de Sagitário, é que ela era dessas pessoas livres e bem-resolvidas, que podiam passar a tarde sozinhas num bar, porque assim o queriam, e marina costumava querer muito isso,ultimamente. A solidão, pensei. Saudade de mim, talvez.  

Quando meu caminho cruzou com o dela, e eu não sei bem se eles realmente se cruzaram, era Junho.

Quando ela se foi, senti algo como uma ausência, um vazio diferente desse vazio costumeiro de quem sente a falta de um amigo que não foi à aula.

Era um vazio dolorido. Saudade dela, um fato.

 

Desde que a conheci, ela tem se mantido assim: sensata e distante, porque próxima a alguém era coração partido, tinha certeza.

E me falava sobre isso horas e horas, desses limites que a gente tinha que ter pra poder se manter inteiro.

Uma coisa interessante sobre Marina: ela me entendia. E isso é raro, alguém além de você te entender, ou me entender, sei lá.

Uma coisa que eu gosto nela: nem sempre ela concorda comigo. E isso é mais uma prova do quanto ela é inteligente.

 

Tinha todas essas características legais de mulher pra casar, dessas que os caras ficam sonhando em ter, mas quando encontram têm medo, porque não estão preparados pra tanta realidade, e homens nunca estão preparados pra nada, foi o que aprendi com a vida.

Marina quando foi deixou pra trás muita coisa, os passeios no shopping aos domingos que faríamos, as idas aos parques,

As festas até tarde, coisas que a gente nunca fez, e que me faziam muita falta.

Penso nela vez-ou-outra-todos-os-dias, com a sensação de que ela volta em alguns dias e que tudo bem ela ter me deixado por uns tempos.

 

Agora eu entendo porque eles, os homens, nunca estão preparados para essas mulheres de Sagitário: porque uma vez que elas cruzam o seu caminho,

Não se vive mais sem.

Quando ela voltar, e eu sei que um dia ela volta pra casa, não vai mais ser só aquela menina, vai ser uma mulher de verdade e só.

 

 

((para Marina, a melhor de todas as conversas num sábado a noite))