E tenta até fugir dessa coisa estranha,seca,que te corrói de vez em quando. essa coisa toda grande, enorme, que não parece caber no peito, e te sufoca, e te deixa sem ar. Essa coisa apavorante, que deram o nome de amor, e por cuidado preferes chamar de afeto.Essa coisa que te faz mentir para si e para os outros, mas eu vejo essa dissimulação em teu olhar, clara e forte. Esse teu rosto suave, essas tuas mãos de menina, não me enganam, sei que por trás desse teu olhar meigo,tem uma mulher cruel, que aprendeu como tal, a arte de enganar. Quem te fez assim, Maria? Esse teu sorriso é tão falso, esse teu amor (ou afeto) é só porque te convém. Eu sei. Mas daonde vem essa tua aparente segurança? Como saber de tudo sempre? Não sei. Maria, teu jeito não me pertuba tanto quanto teu passar. Te ver de longe querendo ser o que não é, acaba comigo. Como podes ser tão má? Teu coração não dói? Tua consciência não pesa? Maria, se bem me lembro, tu ja foste tão ingenua, tão pura, ou até nesse tempo tu ja fingias? Quando te ouço falar, eu vejo o fel saindo de tua boca. Não, não precisas mais mentir. Eu sei quem és. Posso sentir tua aflição por dentro, teu medo, teu pavor. Deve ser dificil viver com uma máscara que nunca cai. Deve ser impossivel ser feliz de fato com uma felicidade inventada. Tudo em tua vida é inventado. Teus pais, tua infância, teu passado. Tu eras tão forte, tão dona de si e de todo mundo. Abaixou a guarda? Tá frágil, na mão de alguem que nem te ama tanto assim. Tu que tanto pisou, maltratou quem fazia tudo por ti. Hoje sofre por um sentimento que te faz rastejar aos pés de outro. Não sei até quando, não sei por qual motivo, mas eu sei que alguma coisa em ti há de verdade, algo escondido que eu ainda não vejo. Maria, não brinca com quem te quer bem. Não vê que todo mal que vai, tambem vem? Teu tempo ta passado, eu quero tanto te ajudar. Tira essa mentira do teu rosto, cresce menininha. Tu já és uma mulher.